Quarta-feira, 10 de Maio de 2006

o espelho da desilusão...

Talvez não seja, nem hoje nem nunca,
Aquilo que sempre quis ser,
Talvez,
Saberei ser melhor, e pior tantas vezes,
Sussurram-se as preces,
E deixamos o céu baixar do seu posto,
As luzes claras fazem brilhar o nosso rosto,
E depois? O que fica?
Talvez não seja, nem hoje nem nunca,
O que sempre sonhei ser,
Mas continuo a procurar,
O adeus, o tal que faz tremer o peito,
O tal que faz chorar sem medo nem preconceito,
Esse já se fez altivo,
E recebeu-me no seu leito,
Sem talismã ou algo em concreto,
Vou buscando um pouco de sorte,
E depois? O que fica?
Talvez não seja, nem hoje nem nunca,
A tal noite e o tal dia,
Que nos envolve para quase sempre,
No chão contam-se os passos,
E vêem-se as memória das noites quase perfeitas,
Quase especiais, quase inesquecíveis…
E depois? O que fica?
Não afastes os teu olhos dos meus, imploro,
Que vai ser de mais esta noite quase perfeita,
Que vai ser de nós se te fores,
E de mim?
Não afastes os teus olhos dos meus, soluço derrotado,
Era tudo quase perfeito, até fugires do meu lado,
Só vemos o que perdemos quando a ferida brada queixume,
E aí nada mais podemos fazer,
A não ser seguir o lume, o doce e amargo do perfume,
Talvez não seja, nem hoje nem nunca,
O reflexo da felicidade,
Eu? Eu sou espelho da desilusão,
E tu quem és?
publicado por JF às 19:36
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Segunda-feira, 8 de Maio de 2006

dia de festa...

Juntam-se as provas e dançam,
Suavemente pelo ar,
Os silêncios irradiam e choram,
Nunca mais serão oportunos,
Tocam-se as mãos,
Que outrora não viam a luz do dia,
Emancipa-se o Ser, por tentar não perder,
O seu bem tão precioso,
Pulam e brincam as pedras do chão,
Que brinquem e pulem quem as pisa então,
Pregam-se sermões, e a festa pode avançar,
Por essas ruas escondidas,
Onde outrora ninguém passava,
Os cheiros distintos formam uma só crença,
A festa é hoje, e hoje nem à dor nem doença,
Saem às ruas as imagens mais escondidas,
E a mim nada mais me importa,
Junto os cacos das mazelas, e vergonha que ainda resta,
Deito tudo fora e sou eu, porque hoje é dia de festa…
publicado por JF às 17:08
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Sábado, 6 de Maio de 2006

velho do restelo...

Longos anos já passaram, sobre a ponte das nossas histórias,
Contando os segundos o tempo corre devagar,
E em tudo vai ficando, um pouco de nós,
Os sons, os cheiros, os vultos e sombras,
Quebra-se o silencio com o zumbir da nossa voz,
Da linguagem retiramos apenas o que queremos ouvir,
E partimos, felizes dos nossos egos,
Continuamos a brincar, unindo os nossos legos,
Construindo as casas, as aldeias, os castelos,
Unindo esforços para ver todos felizes,
Que ingénuos somos, nós os idiotas,
Os puros que acreditam na verdade que não existe,
Mas que um dia alguém teve a criatividade para alimentar,
Plantamos a raiva e a revolta, regamos com choro,
Vemos nascer ervas daninhas, não rezamos, mas eu imploro,
Para que acreditem em alguma coisa, mais ou menos concreta,
Pensem que num circulo algures existe uma linha recta,
E este mundo pode ter um final feliz,
Longos anos já passaram e o nosso mal é crescer,
O nosso mal é perder, o que um dia nos mantinha ingénuos,
Quem dera que fossemos efémeros,
Daríamos à vida o que a vida tem o dom de dar a alguns,
Sem receber nada em troca,
Abrimos os braços e esperamos recebe-lo,
Mas hoje, sou um mero velho do Restelo…
publicado por JF às 16:52
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Sexta-feira, 5 de Maio de 2006

os vendedores de almas...

- A cidade está a arder…
- Deixa-a ceder,
Que me importo eu,
- E as pessoas que fazemos?
- Deixa-as morrer,
- Como assim? Deixamos lá os corpos,
- Deixa-os ficar, eles são apenas mortos,
- E as almas, não as roubamos desta vez,
- Que se lixe, era apenas um português,
Vulgar, com pouca coisa além dos sonhos,
- E estes retratos? Onde os pomos,
Deixa-os ficar, queima-os também,
Certamente não vão fazer falta a ninguém,
- Nem os sonhos roubamos desta vez?
Já te disse, é um mero português,
A sua sorte já foi madrasta por natureza,
Nasceu num pequeno país que é uma tristeza,
Deserto de ideias e de cultura valorizada,
Têm futebol, mediocridade, e creio que não têm mais nada,
Envergonham-se os mundos que outrora foram criados,
Deixa-os arder, eles merecem ser abandonados,
O terceiro mundo vem já aí, e vai engolir esta calçada,
Vai deixar todos contentes, com o nada e mais nada,
- E depois para onde vão meu senhor?
Certamente para um sitio melhor,
É raro o inferno não ser melhor que este horror…
publicado por JF às 10:30
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Quinta-feira, 4 de Maio de 2006

o teu beijo...

Não sinto hoje os lábios,
Julgo que ainda não nasceram para este dia,
O teu toque ainda não os acordou,
E continuam a sonhar…
É com desejo que os sinto, famintos do teu bom dia,
Da tua chancela para os sossegar,
E de tantas coisas mais,
Hoje, não sinto a minha boca,
E padeço de sua falta,
Tantas coisas diria, tantas outras fazia,
Se estivesses junto a mim...
Arrasto a lingua na esperança de saciar a tal sede,
Por muito humidos que fiquem falta sempre qualquer coisa,
Faltas tu, falta o teu toque e a tua boca,
Falta o teu corpo, a tua luz, e o arrepiu da pele louca,
Falta-me o céu, rende-se o véu, porque acordei e não te vejo,
Sinto falta do teu cheiro, do teu sorriso…do teu beijo.
publicado por JF às 20:53
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Quarta-feira, 3 de Maio de 2006

não me arrependo...

Arrepende-te, dos erros e cruzadas,
Das memórias hoje apagadas,
Dos sonhos perdidos e das coisas que esqueces-te,
Acredita, e voa com vontade,
Talvez alguém te diga que não é realidade,
Não te importes, vive a tua ilusão,
Sem medo e sem juras, um minuto então,
Dá lugar ao infinito, daquilo que digo,
Dos lugares que procuro, daquilo que sinto,
Arrepende-te suplico a mim mesmo, no passo seguinte,
Mas continuei em frente, e nada me demoveu,
Nem o sol se pôs, nem o dia se rendeu,
Na areia pinto o meu momento…
A maré vai apagar, mas eu não me arrependo.
publicado por JF às 01:10
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Terça-feira, 2 de Maio de 2006

os amigos são a familia que escolhemos...

Dedicatória ao meu mano, é assim que lhe chamo,
Podemos afastarmo-nos às vezes, mas tu sabes que te amo,
Amigo verdadeiro, presente a todo o momento,
És modelo do verdadeiro protótipo do sentimento,
E tantas vezes lamento, não sermos irmãos de sangue,
Mas aí sentamo-nos no carro, só espero que arranque,
Do teclado faço a caneta, na imagem crio a história,
Aglomerado de palavras que ditam o que vai na memória,
Éramos pequenos de mais, despreocupados de mais,
Putos divertidos, loucos, sorridentes, eramos reais,
Na escola da vida sempre fomos bons discípulos,
Na matemática da vida fomos sempre multiplos,
De uma raiz que muitos insistem em não reconhecer,
Se morresse hoje, diria que tive o prazer de te conhecer,
Esperaria por ti no inferno, sim no inferno que mal tem?
Para quê ir para o céu? Certamente não conheceria lá ninguém,
Partilham-se as histórias, e vamos roendo umas pipas,
Divide-se mais um bollycao e eu faço mais umas rimas,
Horas passadas atrás da bola, numa dupla imbativel,
Jonny e Leo juntos na noite, significa algo inesquecivel,
Na simplicidade guardamos os pedaços dos risos,
Mais tarde relembramos as causas de todos os sorrisos,
E foram tantos, e vão ser sempre muitos mais,
A verdade é que crescemos um pouco, mas continuamos iguais,
Cientes duma vida fudida para quem não luta,
Nós somos os santos e a vida é filha da puta,
Falando mal e porcamente, vamos ser sempre lixados,
Mas a verdade é que um vai guiar ao outro os passos,
Certos e directos, para uma existencia mais clara,
A nossa amizade é uma zundapp que nunca pára,
Nem nunca vão parar, nem que a gazoza suba até aos milhões,
Nós encontraremos o nosso espaço no meio das multidões,
Estás aqui dentro, tu sabes nem vale a pena explicar,
Vais ser sempre meu mano, até o sangue deixar de circular,
Entretanto…
Vamos bebendo do soro da verdade, com muito gelo por favor,
E que tal se pedissemos outra, nesta noite está calor,
A muisica cega os ouvidos e os olhos deixam de ouvir,
Os sentidos estão já trocados mas o coração não deixa de sentir,
No testamento, estás lá também pois és um dos meus bens,
Hoje dedico-te estas letras como quem diz…Parabéns!

PS: para o meu mano Leo, és grande =) diverte-te, tudo de bom,

 


publicado por JF às 00:03
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Segunda-feira, 1 de Maio de 2006

indiferente...

Indifrentes,
Ficam todos os dementes,
Aqueles que passam as horas a dormir,
Os que não têm vontade de sair,
Aos que sonham e plantam sementes,
Até ficar com as pestanas dormentes,
Não é só para ti que eu falo,
É para todos os que galo,
De cabeça baixa e com pouca vontade de lutar,
Tens aqui rima codificada pronta a decifrar,
Compaixão é sentimento cada vez mais raro,
Tu podes não te importar, mas aviso já que me ralo,
Não gosto de perder, tenho pavor de empatar,
Tu até podes cair, que vou tar lá pra te agarrar,
Grita, deita tudo cá para fora,
Levanta-te da calçada está na hora de ir embora,
O vento recorrente, choca o teu rosto, esfria a tua mente,
Vou derrubando a palavra que identifica o indiferente,
Tecla um, tecla dois, tecla três, tecla quatro,
Deixa lá ficar o piano fechado no teu quarto,
Tanto me faz os rotulos e essa merdas,
Ups, não devia ter dito isto, mas tou preparado para as quedas,
A vida são dois ou três dias, pronto e exacto,
Mostra la as mãos, vamos fazer o tal pacto,
É com o diabo, mas pouco me importa,
Foi a única pessoa sincera que me bateu aquela porta,
É para toda a gente, que eu falo,
É para aqueles que só acordam com um estalo,
Sentiste? Não? então é porque estas acordado,
Muita dessa gente não valia o preservativo furado,
Não deviam existir, não deviam estar cá,
Dizem muita coisa, mas é apenas blá blá,
Queimam as orelhas a quem conhecem,
E raramente têm o que merecem,
Deixa falar, deixa dizer, deixa contar,
Não é só pra ti que eu falo, agarra o que tens que agarrar.

publicado por JF às 16:17
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