Sábado, 18 de Março de 2006

consigo...ver!

Acreditas que consigo ver-te,

Não é olhar-te, eu consigo perceber-te,

E por baixo da mascara e da armadura,

Vejo a fragilidade que te faz tremer nos paços,

Que te faz oscilar na hora de dar os abraços,

Com medo que te abracem com força de mais,

E que nunca mais consigas esquecer,

Acreditas que te sinto?

Não são as tuas mãos frias,

Nem o tempo que é inconstante,

Sinto-te em mim,

Talvez sejas importante,

Passo a passo, traço a volta no compasso,

Onde acabo o que escrevo e digo o que faço,

Acreditas que, tenho um certo medo de te perder,

Talvez porque mesmo no escuro, eu consigo ver…

publicado por JF às 01:53
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Sexta-feira, 17 de Março de 2006

muito para contar...

Conta-me uma história,

Breve, de fino ponto e interrogação,

Algo que eu não conheça,

Conta-me uma crónica antes que adormeça,

Embaciavam-se os vidros, fruto da respiração,

E desenhava com o olhar, cortes, formas,

De tédio e de inspiração,

Uma mistura explosiva que faz muita gente mudar de lugar,

Mas eu fiquei,

Conta-me a tua história, deixa-me conhecer-te,

Quem me dera saber, conseguir entender-te,

Sentados olhamos, mas as palavras custam a sair,

Eu tenho todo o tempo, e tu poucos espaços para onde ir,

Por onde começar? Experimenta pelo principio,

O que se passa com os teus olhos, porque me olhas assim,

Porque não falas nem contas, as coisas que tens para mim,

Fica um silencio estranho na sala, mórbido até,

“Não te queres sentar” diz-me ela, não, prefiro ficar de pé,

Vais dizer-me o que me queres, ou vais guardar só para ti,

Vais guardar esse jeito estranho de ser que tanto amo,

Pelo qual tanto chamo, e em poesias te declamo,

Mas nada parece realmente resultar,

Turvasse a água que bebemos deste copo,

O tempo esgota-se, e não posso mais esperar,

Podes começar, a eternidade está no fim,

E tu tens muito que contar…

publicado por JF às 00:16
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Quinta-feira, 16 de Março de 2006

vou esquecer-te...

Vê o real, só isso,

Nas sombras do ser,

Tu até podes ser, submisso,

E quem te julga, pouco sabe de sorte,

A vida perde sempre,

Um dia ganha a morte,

Mas não é macabro o que digo,

Nem influenciável como a opinião,

É um esgar de malícia,

Na resposta à questão,

Não olhes de lado, ainda nem me conheces,

E eu não sou cruel,

Para te dar o que mereces,

Não faças propostas,

Não fales, cala-te,

Deixa de dizer mal nas minhas costas,

Dá um trago no teu veneno, vai fazer-te bem,

Deixa o sangue aquecer,

Que bem te faz, prova o acervo também,

Brincar com as palavras,

Sempre foi um ponto forte,

Será que entendes-te…

Quando foi o primeiro golpe?

O corte que fez jorrar os sonhos em comum,

E que apagou a ingenuidade que restava,

Por pouco não baralhava,

Mas fica sempre um pouco de nós,

Ficam fotos da estrela que naquela noite brilhava,

E ficam outras tantas coisas a recordar,

E hoje vou esquecer-te,

Assim que a luz se apagar…

 

 

publicado por JF às 14:09
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Quarta-feira, 15 de Março de 2006

por toda a cidade...

De novo como antes,


Perturbações constantes,


Copos a brindar em sons melodiosos,


Sorrisos a entranhar, sangue, carne e ossos,


A noite parece ser pequena hoje,


Pequena de mais para guardar as nossas memórias,


Para contar as nossas histórias,


Aos que com o nascer do sol, contemplam um novo dia,


Centenas de caras que a mim não me dizem nada,


Mas vocês estavam lá, e por lá continuaram por toda a madrugada,


Tanto me faz que metade da carta tenho,


Não procuro o outro extremo,


Continuo sereno,


E deixo a noite nos levar,


Como antes, como aqueles momentos que não esqueço,


Sem horas nem sei quando adormeço,


E permaneço neste sonho a que chamo amizade,


Onde esta noite espalhamos os risos por toda a cidade,


Comoções fazem cair palavras,


E agitamos o riso que teima em sair,


Temos de parar…


Não posso, não quero parar, estou demasiado feliz para isso,


Demasiado ébrio para esconder o sorriso,


E vejo a rua a me embalar,


É ela que dá o tom, e que nos faz dançar,


Delírios do puto que não quer crescer nunca,


Simplicidade que nos toca,


Na luz da lua que hoje nos foca,


E nos dá palco para mais uma cena,


Pode ser triste, feliz, grande ou pequena,


Pouco importa, porque amanha, só lembraremos o que foi bom,


Não nos lembramos das letras, apenas do seu som,


Podia acordar, mas permaneço neste sonho,


Onde esta noite espalhamos os risos por toda a cidade…

publicado por JF às 13:02
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Terça-feira, 14 de Março de 2006

a tua mão...

Uma caneta,

E parece o paraíso,

Risco em tons de pastel,

Enrugo o papel esquiço,

E decalco as palmas das nossas mãos,

Traços de sorte, de vida eterna, de amor,

Sensações intermináveis de nostalgia,

De calor,

Faço por colorir esses traços,

Agastando as palmas nos abraços,

Para um dia mais tarde os comparar,

Se a linha da vida, encurtou ou se rompeu,

Se a sorte nos sorri, ou simplesmente,

Se perdeu,

E a do amor, quem dera que perfurasse as nossas mãos,

Pedem-se desejos secretos,

Enquanto se fazem as juras,

Se ultimam os decretos,

Os votos de sim e de não,

Que clamamos em gemidos no linear da paixão,

Ardor que me consome o corpo,

E me faz perder a concentração,

Tanta coisa por desenhar, por descobrir,

E decalco mais uma vez a palma da tua mão…

 

publicado por JF às 17:43
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Segunda-feira, 13 de Março de 2006

o meu lugar...

Olha a vida aí,

Chegou com um sorriso na cara,

Certamente certeira no seu posto,

Com a certeza de que vai pregar qualquer partida,

Solitária senta-se em qualquer lado,

Olha-te de longe e descobre-te,

Talvez me leve para casa,

Hoje tanto me faz,

Pouco sei o que quero,

Muito menos do que sou capaz,

Lá está, a vida, pensativa vai-me olhando,

As diabruras e loucuras,

Que engendra nunca são fatais,

Nunca são banais, e raramente são, de mais,

São rasteiras calculadas,

Para me tornar mais forte,

Se conseguir, talvez com um golpe de sorte,

Me consiga sentar naquela cadeira,

E olhar discreto de longe,

O que as marionetas fazem,

Entender que fio puxar,

E a hora de agarrar, para não partir nenhuma corda,

Por enquanto, tenho fios que me guiam movimentos,

Dirigem-me as vontades, os prazeres, os sentimentos,

E amanha? Quem sabe não me consigo soltar desta amarra,

E consiga, com um golpe de sorte, mudar o rumo,

Arrastando o fio-de-prumo, até ao meu lugar…

 

publicado por JF às 18:01
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Domingo, 12 de Março de 2006

Não me importo de morrer...

Não me importo de morrer…

Lambem-se os lábios vazios de silencio,

Nesta noite onde se saciam os gritos,

Onde se embalam os mitos,

E se deliciam os prazeres duros da pele,

A fadiga forma uma gota fria,

Que ao de leve percorre o teu corpo,

Obcecado, fico de alma vazia,

E pego o gelo que guardava no meu copo,

Deixo escorrer o prazer, vejo dentes a serrar,

O lábio que implora por ser mordido,

Como ferida grita por querer sarar,

Deixo-me então, embalar pelos teu olhos,

Luminosos e claros, como hoje a noite em mim,

Tacteio ao de leve a tua pele, sedosa e transparente,

Assopro no ouvido, toco-te, colo-me a ti,

Afogas-me em gemidos, como o cercar da serpente,

Provo do teu veneno, doce e amargo no encanto,

O veneno mostra o domínio entretanto,

Cheira a desejo com um leve toque de jasmim,

Mas eu já te tinha dito, não me importo de morrer por ti…

publicado por JF às 16:55
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Rei do nada...

Sou rei do nada,

Desse reino sem trunfo para defender,

Sem nada a perder,

Sou rei,

Dessa linear margem que separa a loucura,

Que nos ilude na aventura,

De lutar pelo que é nosso,

Nem sei se posso,

Transmitir tal pensamento,

Que sou rei em firmamento,

E que aqui, no nada, tudo é meu,

Desde a terra, até ao céu,

Tudo é criação de uma mente cansada,

De expor a sua espada,

De defender a sua amada,

Neste reino onde abunda…o nada,

E é na bola de cristal,

Que observo na minha capital,

Que escolho as palavras certas para estas alturas,

São para ti que ainda me aturas,

Nesta insanidade simbólica,

Desta minha cidade bucólica,

Onde abunda o nada,

O que tenho para te dar,

Palavras em abundância,

Boa disposição em circunstancia,

Contos de fadas, heróis empenhando sua espada,

E a minha cidade é tua, esse espaço onde abunda o nada…


publicado por JF às 16:50
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