Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

ainda bem que...

Ainda bem que te conheço, assim posso esquecer-me de ti,
Ainda bem que gosto de ti, assim posso dizer que não gosto,
Ainda bem que sou inteligente e posso ser ignorante por vezes,
Ainda bem que me amas, assim posso ser o que quiser.
Ainda bem que me ouves quando falo baixo, assim posso gritar contigo,
Ainda bem que sentes o meu toque leve no teu braço, assim posso pegar-te com força,
Ainda bem que sou tão quente, assim posso ser terrivelmente frio contigo,
Ainda bem que me amas, assim posso ser o que quiseres.
Ainda bem que me queres ver, assim posso não aparecer,
Ainda bem que tens saudades, assim posso desaparecer,
Ainda bem que adoças o meu beijo, assim posso-to negar,
Ainda bem que me amas, assim posso ser feliz contigo.

publicado por JF às 21:42
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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

deixa cair a noite...

Deixa, deixa cair a noite, ver as luzes dos candeeiros fazerem a tua sombra,
O desenho, a dobra que suporta a solidão, a palavra que na história ainda sobra,
Talvez tenha de me despedir de ti, hoje, neste momento em que não quero mais,
Ver sombras no chão, sobras então, tu e eu quando somos banais,
Deixa, deixa nascer o dia, ver as pessoas a correr de olhos fechados,
O deserto, de ideias e conteúdos, objectivos mal tratados,
Talvez tenha de me despir de ti, hoje, neste momento em que já sinto o teu frio,
Vejo o sol enquanto riu, peixes no rio, tu e eu sem um único desafio.
Deixa, deixa cair a noite outra vez, as luzes outra vez, tudo de uma vez,
O desenho? Pouco vejo deste banco de jardim onde repouso à horas,
Onde moras? Porque choras? Qual o cheiro das amoras?
Talvez tenha de fugir de ti, hoje, nesta história onde não tenho abrigo,
Vejo sombras no chão, nem sobras, nem pão, porque sem ti sou um mero mendigo.

publicado por JF às 20:54
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Domingo, 19 de Outubro de 2008

Nunca me dou por vencido...

Leva-me para o quarto e faz do teu vicio a minha ilusão,
Procura por entre os lençóis razões para não te esconderes mais,
Para não me quereres mais, nessa fome que te mata,
Embalas a mão que maltrata, porque o prazer deixa de ter intensidade,
Explodes por fim, sem saber bem como ou porquê,
Sabe-te bem dançar esta musica, desta forma tão…diferente,
O calor que cola os corpos, a forma como a pele nos sente,
São forças quase anormais, quase fatais para um coração mais frágil,
Tentas agarrar-me mas eu…sou ágil,
E fujo-te mais uma vez, sem justificações nem porquês,
Não acredites no que sentes, nem naquilo que não vês,
Camaleonicamente falando talvez nunca me tenhas, talvez sempre me tenhas tido
mas…Nunca me dou por vencido.

publicado por JF às 17:58
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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

como uma borracha...

          Como uma borracha que dança no papel afagando algumas linhas, quero sentir-me assim, solto, revolto das circunstancias mais monótonas da vida, hoje selvagem num documentário mais formal, onde todos nós animais, nos magoamos sem pensar, não em nós, não nos outros, mas no que os outros vão fazer com alguém um dia mais tarde, tudo começa assim, somos pequenos e acreditamos num conto de fadas, vemos nos filmes, lemos nas fábulas, queremos princesas de vestes compridas e unhas bem pintadas. Crescemos, entendemos, vem a mania que pensamos e queremos sempre mais, encontramos jovens matreiras e vividas com vestes bem curtas, onde o cinto se confunde com a saia, onde o decote deixa pouco por descobrir e lá se vai a ingenuidade. Meses depois a rotina já se instala e já não queremos o que tínhamos, o que era perfeito o que era para sempre dura então…quatro meses, vamos às nossas vidas como se nada se passasse e tudo fica muito bem, mas então num outro caminho alguém vai pagar esta saída, alguém como outra personagem que incluo nesta história, a personagem mais velha, sofrida e marcada que já tem muito para contar e que numa mesa se apaixona por nós, mas não se dá totalmente, essa mesma que nos quer, não se dá, porque tem medo de nós, e o “nós” que até posso ser eu, que até podes ser tu é apenas mais um culpado da bola de neve que aí vem, abraçamos, beijamos, amamos por entre lençóis mais coloridos, mas um dia…a insegurança instala, eu mando na cara que nunca se deu como se devia ter dado, do outro lado a acusação é similar, defesas cruzadas são o primeiro passo para duas pessoas se atingirem, se magoarem…se separarem, assim o conto, sem ponto que nos dê um único parágrafo, nem ponto que nos deixe respirar. Noutro dia, muito mais tarde, numa tarde onde o sol se esqueceu de aparecer voltamos a encontrar aquela menina interessante, onde o decote um dia escondeu pouco…agora é menina séria e não gosta mais de rapazes, diz que sofreu de mais, diz que a salvação é virar para outro campo, para o campo dos pares iguais e apresenta-nos a sua nova namorada…pois bem, a nova namorada não é mais nem menos que a nossa personagem mais velha e marcada pelo tempo, curioso ver que tudo o que fazemos tem uma consequência, nem sempre para nós, nem sempre para quem está perto de nós, mas para os outros que apanham as minas que deixamos, quando prometemos e não cumprimos, e que estão sempre prontas…a explodir.

 

publicado por JF às 00:11
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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

flores...nao as vejo aqui.

Caem gotas no meu jardim, mas deste chão não nascem flores…
Ervas daninhas há, terra pisada também existe, mas flores…
Não as vi por aqui,

 

Faz sol no meu campo, minado de solidões por completar,
Segredos por desvendar, paixões por plantar,
Mas flores? Flores não as vi, por aqui.

 

Tenho sementes de mil formas debaixo dos meus pés,
Sombras, águas, força para ver crescer o que queiram ver surgir,
Mas flores? Essas não as tenho junto de mim.

 

publicado por JF às 23:11
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Sábado, 11 de Outubro de 2008

suficientemente...

        Não te digo suficientemente vezes que te amo, eu sei, porque eu não te amo, é mais, é maior, é mais forte. Não gosto de dizer as palavras que os outros usam de forma descartável, de forma justificável a males maiores do que o tempo.
        Não te digo suficientemente vezes que gosto de ti, porque eu não gosto pouco, nem muito…é maior, é mais forte. Não gosto de classificar as coisas assim, mas se o for quero gostar um pouco, é menos usado…é mais original.
        Não te abraço suficientemente vezes para sentires o que sinto por ti e por isso tens dúvidas mas…descansa amor…é grande, é forte…e sou teu. (por enquanto =) )

publicado por JF às 12:20
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

a duração...

O meu corpo não dura para sempre, mas o que eu deixo dura,
Ficará pelo tempo indeterminado que a memória tem,
Não me deixes morrer hoje, não me esqueças amanhã,
Promete-me veres-me mais um dia, à noite, de manhã,
Quando me matas e pensas noutras coisas, noutro assuntos,
Perco força e deixo-me ser mais um, igual entre muitos,
Quero ser único, deixa-me ser único…em ti.
O minha mão não vai ficar firme para sempre, mas as minhas letras ficam,
Ficaram pelo tempo indeterminado que leva um papel a arder,
Não me deixes virar cinza no chão,
Hoje não, amanha também não, depois também vão…
Contar-te coisas que eu fiz, dar-te memórias que eu escrevi,
Vai valer a pena vais ver, ainda me lembrares, ainda me acordares,
Com o tal “Bom Dia Amor”…de manhã.

publicado por JF às 00:18
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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Menina...

                Era uma vez uma menina que vivia numa folha de papel, um rectângulo branco e pouco espesso, sem luz, sem vida e sem cor.
                A menina passava de mão em mão, mas os adultos nada faziam, olhavam, riam e deixavam em cima da mesa, muitos chegavam a dizer…”para que me serve? Não tem cor, não tem vida”.
                Um dia um menino pequeno de olhos claros olhou para o papel, voltou a olhar e…pensou... “mas que linda menina, tão bela, tão perfeita, será que se a pintar a estrago?” e não tocou…não mexeu…não pintou. 
                Que pena, e pensar que aquela menina foi desenhada para aquele menino pintar, e que aquele menino por medo de a estragar…nunca chegou a dar-lhe vida.
 

(Não percam a oportunidade que vos foi dada de dar vida às páginas sem cor…sem forma…sem vida, porque nunca saberão qual foi a página desenhada apenas para vocês.)
 

publicado por JF às 23:15
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Sábado, 4 de Outubro de 2008

uma menina (final)

      E então nesta história havia também um menino, era um menino que não queria crescer... Para se entreter ele inventava muitas amigas imaginárias e muitos nomes tanto para elas como para si.
       Ainda mal sabia escrever o seu próprio nome e já brincava com as palavras tentando perceber quais de todas as mais bonitas soariam melhor juntas... do alto da sua carinha angelical e sardenta como só ele, ria em todas as oportunidades, era um menino feliz que fazia muita gente feliz no seu sorriso.
       Gostava de o olhar em todas as ocasiões, porque quando ele ria os meus olhos riam com o sorriso dele, e quando este acabava, embrutecia-me a alma como se mais nada a fizesse florescer.
       Todas as vezes que ele me olhava explodia em mim o brilho de todas a estrelas do firmamento! O chão deixava de me conhecer os pés, e toda a minha alegria era saber-me, sentir-me querida para aquela criança, que um dia seria homem... o meu talvez.
        Aprendi a sonhar os sonhos dele, e cada pergunta que lhe fazia trazia mil outras que ele não precisava nunca de responder...eu sabia-o, conhecia-o, respirava-o! Era o meu menino de ouro e tudo o que me dava prazer era segurá-lo nos braços e sossega-lo e protegê-lo de todo o mal deste mundo... mas um dia em que o sol se pôs mais cedo do que o tempo lhe dissera... eu descobri, o mundo em que ele vivia não era o mesmo que o meu. Descobri que era por isso que eu chorava e me angustiava e sentia coisas que nunca tinha pensado sentir antes e ele... ele só sorria, só brincava à apanhada com as suas amigas imaginárias... para mim, ficava o toca e foge.
       O mundo dele era intocável, impenetrável, impossível, e todos os desanimadores "ins" de que uma rapariga entristecida por um amor cada vez mais platónico se pode lembrar... Um dia ele chegou para mim cheio de malícia no olhar e disse que não tinha mais como me incluir no seu sorriso, no seu mundo, na sua eterna brincadeira... e eu voltei para casa e chorei-o como a um morto.
       O tempo passou. Muito tempo passou, Até que um dia em que o sol se esqueceu de adormecer, esbarrei de novo com o meu menino... continuava a ser o meu menino...ai... continuava a ter tanto de menino, quanto pouco tinha de meu... foi aí que eu percebi, que podia eu ser velhinha de cabelo muito branco, muito sábia e muito rejeitada pela sociedade como todos o são que ele seria sempre o menino sorridente e sardento que jogava à apanhada com milhares de tágides invisíveis e que nos seus jogos de palavras tinha descoberto por acaso, só por acaso, a que tantas vezes me tinha feito feliz... "amo-te". 

 

(a linha parece encurtar e em espaços pareço ser o que sempre fui, mas depois quando adormeço e volto a acordar entendo que, por muito que seja mais um dia, seja mais um ano, sejam mais cem anos, a minha missão, a minha ideia original de ser importante continua forte, continua meritória, continua…juvenil.)
 

publicado por JF às 01:54
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